sábado, 22 de julho de 2017

Mais de 10 anos.

Este blog nasceu no ig... depois foi pra tantos servidores q nem me lembro mais. Acabei parando no Blogger por pura acomodação. 2002 foi o ano fatal. Ano em que eu já lidava razoavelmente com internet e comecei a criar um alter-ego virtual que buscasse as coisas que interessam mais esse meu lado obscuro, a quem chamo Psiqué. Ela tem personalidade própria e este sempre foi o seu domínio. Psiqué, a chata, a deprimida, a revoltada que quer resolver tudo no fio da espada, ainda que isso sacrifique sua sanidade e integridade física e moral.
40mg de fluoxetina não permitem que ela tenha mais esse ímpeto todo...
Em 2002 tb criei a Valentine como contraponto, pra evitar que me matasse ou matasse alguém... falsa alegria... falso entusiasmo, falso otimismo, falsa esperança... tudo isso define dona Valentine. Mas ela me manteve viva. E quando não foi mais possível alimentá-la, eu a libertei. Deram-se as mãos, Valentine e Psiqué, e ambas se retiraram da minha mente. Tornei-me observadora de mim mesma desde então.
Recorrer a um profissional não foi fácil para meu orgulho leonino. Há 6 anos o esforço em pedir ajuda tem sido grande mas depois de aberta a comporta, não é possível fechá-la até que escoe a última gota de verdade. E eu quis a verdade.
Todo sofrimento de uma vida inteira de desconfiança e falta de amor, tudo isso foi explicado recentemente. Assim como eu criança ainda aprendi a desesperar da humanidade, assim também ocorreu com a minha mãe. Assim como minha família fingia não notar as minhas lágrimas, assim também ignoraram as feridas da sua alma. Assim como eu quis fugir de toda essa dor e vergonha, que nem eram de fato minhas, assim também ela tentou fugir a vida toda, de si, da família, da realidade dura e cruel, da língua quente e nojenta do mundo.
Hoje nenhuma explicação muito simples me convence. Deixei que lacunas roubassem nacos da minha história por tempo demais. Esses caras que muito falam e que sempre me encantaram muito facilmente não teriam a menor chance agora. Uma pena eu ter deixado que me levassem meus melhores anos.
Nunca mais.