Todo mundo nasce e morre só. Mas ao longo da vida, a gente se apega a certas pessoas, principalmente aos parentes mais próximos. Mesmo que a convivência seja turbulenta, a gente se apega.
Aí, vc cresce e vê que está "sobrando" na vida dessas pessoas, q aqueles com quem vc sempre contou na verdade te vêem como um fardo, e te apontam o dedo na cara cobrando os anos de dedicação a vc (coisa q vc não pediu, q vc julga natural entre parentes).
Não importa se vc se tornou uma pessoa de bem, q vc é responsável, trabalhadora, que vc faz sacrifícios por essas pessoas, que vc ajuda no orçamento todo mês, q vc tem paciência com suas esquisitices ou mesmo se vc já se pôs em risco para defendê-las.
Tudo lixo. Poeira ao vento.
Então, vc se vê totalmente só e sem entender o que fez de errado pras coisas mudarem tanto.
E agora?
Agora acabou a ilusão de ser amado, de ser orgulho para alguém, de ter um vínculo real, verdadeiro e indissolúvel com alguém.
Vc está só. Até à morte. Tão só quanto no dia em que nasceu.
É nessa hora em que muitos resolvem "ter um filho". Ou seja, fazer uma pessoa para substituir emocionalmente aquelas que não mais te querem. Esquecem-se, porém, de que os filhos crescem e partem. A vida que lhes foi "dada" pertence a eles, não a quem deu.
Outra grande e dolorosa perda.
Mas era ilusão desde o início!!
ORGULHO E VAIDADE
“Não chores, portanto, pelas aflições do estado humano; antes, deves rir de suas loucuras. Nas mãos do homem entregue à vaidade, a vida não passa de sombra de um sonho. O herói, o mais renomado dos personagens humanos, que é ele senão a borbulha dessa fraqueza? O público é instável e ingrato; por que haveria o homem sábio de arriscar-se pelos tolos? O homem que se descuida de suas presentes ocupações para resolver como se comportará quando for importante, alimenta-se com o vento, enquanto outro come seu pão. Age conforme é adequado à tua condição presente e, quando atingires condição mais elevada, não te envergonharás. Que cega mais o olho e mais oculta o coração do homem a si mesmo do que a vaidade? Cuidado! Tal como a tulipa é vistosa sem ter perfume, atraente sem ter utilidade prática, assim o homem se coloca num pedestal sem ter méritos. O coração do vaidoso está perturbado mesmo quando parece contente; seus cuidados são maiores que seus prazeres. Suas ansiedades não descansam junto com seus ossos; o túmulo não tem profundidade que baste para ocultá-las; ele estende seus pensamentos para além de seu ser; fala elogiosamente para que lhe retribuam quando estiver morto; mas aqueles que lhe prometem isso, mentem. Como o homem que obriga a esposa ao compromisso de permanecer na viuvez, para que não perturbe sua alma, assim é aquele que espera que os louvores alcancem seus ouvidos embaixo da terra, e agradem seu coração envolto no sudário. Faze o bem enquanto estás vivo e não te importes com o que se fale a este respeito. Contenta-te em merecer louvor, e tua posteridade se regozijará em escutá-lo. Como a borboleta que não vê suas próprias cores, como o jasmim que não toma tento do perfume que esparge ao seu redor, assim é o homem que aparenta alegria e convida os demais para que reparem nisso. Para que fim uso vestimentas de ouro? Para que minha mesa coberta de delícias, se nenhum olhar pousa sobre elas, se o mundo as desconhece? Dá tua roupa aos pobres e teu alimento aos famintos; só assim serás louvado e sentirás que o louvor é merecido. Por que dás aos homens a lisonja das palavras sem sentido? Sabes que, quando te retribuírem, não lhes darás valor. Eles sabem que mentem; contudo, sabem que lhe agradecerás. Fala com sinceridade e ouvirás verdades. O vaidoso se delicia em falar de si mesmo; mas não percebe que os demais não gostam de ouvi-lo. Se ele fez algo merecedor de louvores, se possui algo digno de admiração, sua alegria é proclamar tais coisas, seu orgulho é ouvir comentários. O desejo de um homem assim frustra a si próprio. Os outros não dizem: “vejam o que ele possui!” e sim “vejam como ele se orgulha!”. O coração do homem não pode ter muitas coisas ao mesmo tempo. Aquele que põe sua alma na ostentação perde a realidade. Persegue bolhas que explodem no ar, enquanto ele pisa com os pés aquilo que o honraria."
(Livro: A Vós Confio)
Obrigada, Amorc.

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