domingo, 27 de janeiro de 2013
Mãe
Acho que é a primeira vez na minha vida que identifico claramente a falta que uma mãe me faz.... Em qualquer outra crise de solidão, tudo que eu queria é que qualquer pessoa (qualquer mesmo) me desse atenção. Neste momento, só serviria a minha mãe. Se a pessoa que me pôs no mundo fosse um pouco mais razoável, não falo em termos de educação, nem cultura, mas de moral mesmo, só ela poderia me ouvir agora. Eu só confiaria nela. Como isso não é possível, eu tenho tenho que ser minha própria mãe. Eu mesma devo me ninar, consolar, enxugar minhas lágrimas, me dizer que tudo vai ficar bem, que tudo passa, que eu só preciso de tempo, enumerar minhas qualidades, me fazer um chá... Eu nunca pude abraçá-la... nos separamos muito cedo, para minha própria proteção. Se isso não tivesse ocorrido, provavelmente eu não seria capaz de postar estas linhas hoje. Ela teria dado um jeito de me matar, senão física, psiquicamente. A minha avó é o mais próximo de uma mãe que eu pude ter. Ela se foi. Mas sei que não é a mesma coisa. Nunca achei que estivesse ligada a minha mãe, até ela ser golpeada no lado por uma faca numa briga. Eu, estando a quilômetros, senti a dor em mim mesma, muito antes de ela aparecer em nossa porta, ensanguentada. A vida toda, eu só quis não ter essa ligação com ela. Agora só queria que não fosse com ela. Uma amiga, minha tia, ou mesmo minha avó, se estivesse viva, não poderiam suprir essa necessidade agora. Me sinto tão só no mundo. Tão desconectada. Tão vazia. Pode ser apenas efeito de mudanças hormonais, a lua... e isso tudo ser esquecido amanhã ao acordar. Mas neste momento é o que tenho de mais real. Quero entender porque me sinto assim. Achar uma solução dentro de mim pra isso. E nunca mais me sentir tão só, tão abandonada. Não é justo me sentir mal desse jeito se tudo em volta está bem. Tantas pessoas sofrem todos os dias por coisas milhões de vezes mais sérias. Agora mesmo, já está passando... estou me acalmando, respirando fundo e pensando nos meus compromissos pra amanhã. Mas pode ser que daqui uns dias, meses ou anos, eu me sinta assim novamente. É tão desconcertante... me sinto tão envergonhada. Preciso entender de onde vem isso.
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