domingo, 4 de fevereiro de 2018

Não era isso, mas foi

Ultimamente, tudo que eu sinto é pesar. Meus dias se resumem a um luto com diferentes matizes de cinza e preto... mais o cheiro pútrido de valas do passado abertas como veias suicidas.
Foi necessário abri-las... corrigir o leme... acertar o prumo... e mais todas as metáforas possíveis para expressar o inexprimível... que não tem mais jeito.
Tudo é feio demais. Nem mil guirlandas de flores exóticas disfarçariam tal feiura! O mal foi feito e muito bem feito no nascedouro das minhas raízes neste mundo. Como fazer crescer um tronco saudável de uma raiz tão podre?
Frequento uma sala onde se ouvem ecos de dor, cada ser ali é um espelho quebrado, exibindo seus trincos, soltando suas lascas, tentando se recompor por mais 24 horas.
Mais 24 horas...
Eu não espero mais nada. Não há mais um centímetro da minha alma que a realidade não tenha deixado seu arranhão.

Eu não tenho mais como ser tão forte. Ofereço meu pescoço como troféu a quem dele se interessar. Só peço que a lâmina seja afiada e rápida.

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