Ultimamente, tudo que eu sinto é pesar. Meus dias se resumem
a um luto com diferentes matizes de cinza e preto... mais o cheiro pútrido de
valas do passado abertas como veias suicidas.
Foi necessário abri-las... corrigir o leme... acertar o
prumo... e mais todas as metáforas possíveis para expressar o inexprimível...
que não tem mais jeito.
Tudo é feio demais. Nem mil guirlandas de flores exóticas disfarçariam
tal feiura! O mal foi feito e muito bem feito no nascedouro das minhas raízes
neste mundo. Como fazer crescer um tronco saudável de uma raiz tão podre?
Frequento uma sala onde se ouvem ecos de dor, cada ser ali é
um espelho quebrado, exibindo seus trincos, soltando suas lascas, tentando se
recompor por mais 24 horas.
Mais 24 horas...
Eu não espero mais nada. Não há mais um centímetro da minha
alma que a realidade não tenha deixado seu arranhão.
Eu não tenho mais como ser tão forte. Ofereço meu pescoço
como troféu a quem dele se interessar. Só peço que a lâmina seja afiada e
rápida.
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